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Postagens

À calmaria

Quem resiste à tempestade recebe, como prêmio ou recompensa, a merecida calmaria. Voltam os olhos a ver o belo do azul do céu na janela, a magia do arco-íris no retrovisor, a alegria das crianças na calçada, as cores e os sabores do cotidiano, enfim. É o eterno mostrando sua graça, seu valor e sua enorme importância. É o amor mostrando que, afinal, só com ele tudo vale a pena. 

Ode ao passado

Objeto do meu amor atemporal, ele não entende - que pena - minha forma de amar. Compreendo sua angústia, sua tristeza, sua revolta, e até seus surtos que tanto nos ferem. Acontece que a perda não vem suavemente, ela assola a alma quando nos damos conta do que perdemos, e nos leva aos extremos.

Not ready yet

O tal mimimi sempre me irritou. E agora me irrita ainda mais quando o reconheço em mim mesma. É patético choramingar quando se tem uma vida cheia de possibilidades nas mãos e um ou dois motivos de lamento. É tudo medo. Medo do arrependimento, medo do fracasso, medo do julgamento, medo dos dedos apontando na sua direção. Não deixa de ser, em todos os casos, medo de viver, o que é inaceitável. Não estou pronta ainda, é óbvio. Que venham as consequências.

Ditadura do perdão

Que se doam as alcoviteiras! Da minha dor cuido eu, E o perdão que era nobre Já virou obrigação. Sou eu que te perdoei e te deixo, Sou eu que te amei e te esqueço, Sou eu. Comigo nada carrego senão a beleza das flores que se foram com seu perfume. De mim nada terá senão a memória das mãos que se foram com seu carinho. Ao vento deixo a doce função de espalhar o que se fez de bom, E limpar a sujeira de cada coração. Na minha encruzilhada fechei os olhos E lhe dei as mãos. Abri meu melhor sorriso E fui, em redenção.

As suas analogias

Ele me olha e vê uma música E cria uma imagem em seus ouvidos Que ele recita nos meus ouvidos Sussurrando com o olhar perdido Enquanto me seduz sem perceber. Ele me abraça com o olhar E me envolve com seu calor Que conduz minhas mãos Em uma dança entorpecida Enquanto nos tornamos um.

Os fracassos da vida

Fracassei. Na última postagem, eu falava da venda do carro e do mergulho na bicicleta. Não consegui vender o carro, não tive coragem de encarar o trânsito de bicicleta. Fracassei, como em outras coisas na vida. O carro continua lá, contra a minha vontade, e também não tive força de vontade pra insistir, procurar uma revendedora, colar um "vende-se" no vidro traseiro.  Acabei usando umas vezes mais, por conveniência, ou simplesmente pra justificar o fato de mantê-lo na garagem, ou pra não deixá-lo morrer de vez. E o resto fiz a pé, de ônibus ou de carona. Resumindo: o discurso não deu na prática. O grande problema não é o fracasso em si, mas como a gente lida com ele. Lá no fundo, fico muito incomodada em manter o carro na garagem. Tomar uma decisão e não conseguir cumpri-la gera um sentimento de frustração constante, que lateja. Vale pra tudo. E nos últimos meses, tudo tem sido bastante coisa. Tempos de crises. No plural mesmo. Crises globais - a econômica, a polític...

Sobre duas rodas (ou nenhuma)

Prestes a me livrar do meu carro, comprado em infinitas prestações de um valor que eu não podia pagar, porque julguei necessário em um determinado momento da minha vida pra atender às pressões do mundo que anda a 100 km/h. Por quatro anos usufruí do (suposto) direito de ir e vir que o carro proporciona. 50 mil quilômetros rodados. Feliz da vida, vendo o pretinho básico, como costumava chamá-lo, por cerca de 40% do valor que paguei. Números que não significam mais nada pra mim. Há dois anos comprei uma bicicleta e venho experimentando em doses homeopáticas o aparente desafio de viver sem ter um carro na garagem à disposição 24 horas por dia. Você perde algumas coisas: não dá pra ir ao supermercado preferido sempre, não dá pra viajar pra qualquer lugar a qualquer hora. Você ganha muitas coisas: o prazer de voar, nem que seja só aos domingos, sobre as duas rodas da magrela; as horas de leitura e descanso entre uma cidade e outra sem precisar dirigir; uma dose extra de saúde, bom humor ...