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Des-coberta

Envolva-se com erva daninha e danou-se. Só que não. Não me dobro à tua baixeza de espírito, não preciso dos teus cães de guarda, nem de ti. (olha só) Vai, vive, fazendo-te de feliz. (é o que melhor cola) Arrasta-te pelo mundo, cobra, e enganas a quem... (não a mim) Eu, por aqui, ando descoberta, por aí, descobrindo os males que tu plantaste, que vingam apenas em terreno teu. Eu, por aqui, choro, sim, sofro as perdas que me causaste. (supostos amigos, enfim) Eu, por aqui, já não desejo nada a ti. Apenas sigo, sem medo mais. (em paz)

Arre

Linda lira lívida, espalha-me. Arrefece a minha febre e me leva praquela casa, a que eu sempre busquei. Arrebata-me, arrebata-os, faz com que eles me enxerguem, agora que me enxergo eu também. Arrebanha-nos, loucos que somos, todos, que juntos devemos ficar e nos espalhar e lhos espelhar. Arrebenta as cruas correntes, e me leva praquela casa, a que eu sempre busquei.

Ritual

Numa dança sensual, o vapor passeia... Já não há ponteiros. Alguns mililitros depois, a mente mais calma, aquecida a alma. Goles de paz.

Mutante

O desafio de se saber só - ou a sabedoria do amor próprio

Cada pessoa tem uma vida pra viver: a sua própria. Um trabalho a fazer, um amor a decifrar, alguns medos a enfrentar, uma família a sustentar, uns sapos a engolir, uma dor a curar... Estamos, ou deveríamos estar, todos ocupados o bastante com nossas próprias batalhas. Exceto àqueles que o destino fez dependentes a serem cuidados, a todos os outros cabe cuidar de si.  Como a vida é uma trama, a sociedade trata de misturar exércitos de um homem só, garantindo que ninguém consiga viver totalmente só, ou ao menos imune à influência que exerce, mesmo que involuntariamente, sobre a a vida do outro. Nesse cenário, conhecer a si mesmo já é desafio pra uma vida. Aprender o outro, então, pode ser um suplício ou uma aventura. E é aí que parece estar o segredo: pra quem se gosta, aventura; pra quem está perdido em si mesmo, suplício. Aventuremo-nos, pois! Que a vida sempre pode nos surpreender.

De tudo aquilo que é ruim

As dores que me foram causadas, O desrespeito a mim prestado, As agressões que me infligiram, As omissões que me atingiram, As mentiras que me contaram, A ira a mim direcionada, As injustiças contra mim cometidas, A deslealdade, O abandono, A descrença, A ofensa, O desamor. Que eu seja capaz de perdoar E ainda responder com flores e paz. Porque nada disso cabe em mim, Que não tenho armas, E espero seguir não tendo.

De tudo aquilo que é bom

A sorte com que sou agraciada, As coincidências que me concedem os momentos sublimes, Os nasceres e pores do Sol que me presenteiam, Os beijos mais doces no meio do corredor, As comemorações fora de hora, O amor fraternal, o maternal e o paternal, O passado, presente e futuro, A história que faz de mim eu, O dia de hoje e suas horas voláteis, Os que me visitam nos meus sonhos madrugadas adentro, Os que me acompanham nos meus sonhos vida afora. Reverencio em gratidão. Faz tudo parte de mim, sim, obrigada. De mim, que sou inteira, não meia. Que sou completa, não carente. Que sou, sim, merecedora E espero seguir sendo.