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Dia após dia

Dia após dia eu sigo, Naturalmente olhando um pouco mais pro meu umbigo, Que traz recordações, ela diz, Do tempo em que eu quase existia, Quase vivia, Sublocando um útero molhado, Pra onde, ela diz, Quero voltar Quando a escada parece alta demais.

Divagações

Foram menos de dois meses, acho. Entre a escalada do fim e a queda livre do começo. No limbo, você se pergunta como chegou até ali, e, num misto de alívio e desespero, tenta encontrar a saída do labirinto. Alguns episódios de lucidez: 1) Uma fila de "balada". Livre pra beijar quem quiser, você não quer beijar ninguém. Ninguém ali lhe parece interessante, simplesmente porque o ambiente todo não lhe interessa. Segundos antes de passar pela entrada, você dá meia-volta e respira, feliz: foi uma linda e longa caminhada ao autoconhecimento, aqui não é o seu lugar. 2) Uma tarde no cinema da elite. O filme é ótimo, você tem dinheiro pra pagar a entrada, o almoço, etc. Mas ao redor é tudo plastificado, pessoas exalando status . Você passa entre elas se sentindo um peixe fora d'água, e pensa: definitivamente, aqui não é o meu lugar. …subterfúgios que só empobrecem o espírito livre de quem gosta da simplicidade. 3) Piquenique com a família, bolo de laranja e limonada.  Bolo de ...

2013 na balança

No ano que passou: - enfrentei uma quase tempestade em alto mar, fiz trilha e nadei nas mais belas praias de uma das mais belas ilhas do meu país; - enfrentei meus medos ao entrar numa gruta linda e assustadora; - passei uma semana em férias numa casinha pé na areia em uma vila de pescadores, cozinhando e comendo peixe todos os dias; - pratiquei corrida com prazer e certa disciplina; - arrumei a casa da forma mais minimalista, quieta e aconchegante que pude; - comemorei meu aniversário entre pessoas queridas; - trabalhei intensamente e com muita motivação; - fiz um curso de gastronomia; - planejei as férias dos meus sonhos! Até que... ...uma bomba explodiu debaixo dos meus pés: - sofri uma enorme desilusão; - descobri-me frágil, insegura e depressiva; - perdi minha auto-estima; - tentei em vão recuperar o viço e a confiança do amor ferido; - busquei e reencontrei meu amor próprio; - concretizei uma paixão platônica; - cancelei as tão sonhadas e planejadas férias; - perdi muito dinheiro...

Flores do meu ego

Alguém que, por estar ferido, feriu meu ego, e assim quase perdi o prazer de ser eu. Não vou repelir o que me é caro; não vou esquecer o muito que aprendi; não vou negar minhas pequenas qualidades; não vou me afastar de mim. Goste ou não, essa sou eu. Eu gosto. A melhor parte da queda é quando nos levantamos. Quando nos reencontramos com nossa verdade. Sinto-a escalar ansiosamente cada célula, voltando mais forte e lúcida ao ventre meu. A vida, que parece agora ainda mais efêmera e volátil, é quem me convida a viver. Um dia de cada vez, sim. Não me censure. Já enchi meu cesto de flores, e elas são a única arma que carrego. Nada vai me afastar de mim.

Pra acalmar a alma

Às vezes o afastamento é a única saída. Afastar-se do que aflige, do que inquieta, do que machuca. Somos apenas pequenos pontos no espaço. Pequenos, ignorantes de nossa própria origem e nosso próprio destino, sem controle algum sobre nossos pares. Nada nos resta senão aquietar a alma - ou o que temos por alma - e sorrir. O sorriso e a felicidade despretensiosa pacificam e emanam a energia positiva de que as almas inquietas carecem. Energia que flui pelo espaço, e não conhece distância nem quaisquer obstáculos. Afastar-se para deixar a energia fluir. Afastar-se em respeito aos sentimentos de cada um. Afastar-se para curar as almas.

Variações do mesmo dilema

Te beijo a nuca sempre que te vejo E nunca sei se paro ali ou começo de novo Do começo que foi seu queixo Mas aí sua boca me chama  E eu lembro o quanto me faz feliz  Quando ela fala Porque ela fala todas as palavras Que eu sempre quis ouvir E se abre num sorriso Que chama a minha nuca pra dentro dos seus lábios E é então que recomeçamos Pra dar à paixão Uns goles de amor Que às vezes de tanto  Transborda pelo copo e confere ao corpo A impressão de ser alma E de ser uma só Porque é a minha que não quer mais Viver sem a sua.