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Postagens

Os fracassos da vida

Fracassei. Na última postagem, eu falava da venda do carro e do mergulho na bicicleta. Não consegui vender o carro, não tive coragem de encarar o trânsito de bicicleta. Fracassei, como em outras coisas na vida. O carro continua lá, contra a minha vontade, e também não tive força de vontade pra insistir, procurar uma revendedora, colar um "vende-se" no vidro traseiro.  Acabei usando umas vezes mais, por conveniência, ou simplesmente pra justificar o fato de mantê-lo na garagem, ou pra não deixá-lo morrer de vez. E o resto fiz a pé, de ônibus ou de carona. Resumindo: o discurso não deu na prática. O grande problema não é o fracasso em si, mas como a gente lida com ele. Lá no fundo, fico muito incomodada em manter o carro na garagem. Tomar uma decisão e não conseguir cumpri-la gera um sentimento de frustração constante, que lateja. Vale pra tudo. E nos últimos meses, tudo tem sido bastante coisa. Tempos de crises. No plural mesmo. Crises globais - a econômica, a polític...

Sobre duas rodas (ou nenhuma)

Prestes a me livrar do meu carro, comprado em infinitas prestações de um valor que eu não podia pagar, porque julguei necessário em um determinado momento da minha vida pra atender às pressões do mundo que anda a 100 km/h. Por quatro anos usufruí do (suposto) direito de ir e vir que o carro proporciona. 50 mil quilômetros rodados. Feliz da vida, vendo o pretinho básico, como costumava chamá-lo, por cerca de 40% do valor que paguei. Números que não significam mais nada pra mim. Há dois anos comprei uma bicicleta e venho experimentando em doses homeopáticas o aparente desafio de viver sem ter um carro na garagem à disposição 24 horas por dia. Você perde algumas coisas: não dá pra ir ao supermercado preferido sempre, não dá pra viajar pra qualquer lugar a qualquer hora. Você ganha muitas coisas: o prazer de voar, nem que seja só aos domingos, sobre as duas rodas da magrela; as horas de leitura e descanso entre uma cidade e outra sem precisar dirigir; uma dose extra de saúde, bom humor ...

Da sobrinha

Abraça, cheira, ama. Escreve bilhetinho. Dorme na mesma cama. Mas quando a gente cresce, esquece. Sente saudade. Corre pra ganhar o primeiro beijo. Engole o choro no ciúme do novo neném. Mas quando a gente cresce, esquece. Abandona. Coloca o resto em primeiro plano. Nunca mais aparece. A gente cresce e esquece. Pede perdão. Mas já é tarde demais. E a gente nunca mais esquece.

Inspiração

"Pour moi, ça paraît tellement simple que la vie doit être vécue sur le fil. D'entretenir sa rébellion, de refuser de se conformer aux règles, de refuser son propre succès, de refuser de se répéter, de voir chaque jour, chaque année, chaque idée comme un réel défi. Ainsi, nous vivrons notre vie sur la corde raide." (Philippe Petit) la vérité

O muro

Na poltrona do avião espero E o que mais me fascina (agora pelo menos, que os olhos ardem de sono) É nada mais que um número: Quantas pessoas aqui comigo nessa aeronave flutuam Sobre o atlântico nosso oceano Que já não é nosso nem nunca foi Que de patriota não tenho quase nada. Iremos todos afinal para o mesmo lugar? Berlim, Berlim...o muro!

Stop blaming the world

Você acorda e chove e você blasfema contra a natureza que logo hoje resolveu mandar água só pra te sacanear, logo hoje que você tinha planejado finalmente fazer uma caminhada e então conclui que é por isso que você não consegue se exercitar, além dos mil problemas que você tem a natureza, ou Deus, ou São Pedro não colabora. Seu secador de cabelo quebra e você está certa de que foi praga daquela vizinha que vive elogiando o seu cabelo, invejosa que é, você sabe que ela te odeia por causa do seu cabelo lindo e sedoso e deve ter feito macumba pra você ter que sair de casa hoje com o cabelo igual vassoura. Se o mundo está contra você, talvez seja a hora de você mudar um pouco de referencial. Afinal, por que o mundo estaria tão preocupado com você? Assumir a responsabilidade sobre sua própria vida talvez traga não todas as respostas mas as perguntas certas.

Ao Pedro, com carinho

Sempre me lembro de você. De todo jeito, é sempre bom. Meu filho emprestado, meu irmão roubado. O amor é muito, o preparo é pouco. Queria saber te amar. Sei, de fato, mas quem vê? O mundo me engole, e com ele é engolido meu amor. E você continua me fazendo feliz, porque te ver crescer me faz crescer junto, mesmo que seja pra não te desapontar.