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Foco

Quando digo que não guardo mágoa nem rancor, digo-o com a mais viva sinceridade. Isso traz uma serenidade que tranquiliza, mas ao mesmo tempo assusta, provoca, porque me levaria a esquecer tudo o que não me fez bem, e correr o risco de voltar à zona de (des)conforto.
Não que não tenha sido feliz, incontestavelmente feliz. Mas um tanto conformada e outro tanto submissa, o que não me vinha fazendo bem. A alegria de viver me era - é - intrínseca, por isso eu sei que seria feliz se voltasse também. A felicidade é um estado de espírito, que depende muito mais do interior do que do exterior, por mais clichê que isso pareça. E quando acredito que minha felicidade independa de outrem, até certo ponto, a companhia se torna segundo plano.
Mas segundo plano não é nada que tenha menor importância. É, pelo contrário, o suporte, o amparo, o fio condutor do nosso primeiro plano. E é por isso que eu não me arrependo. E é por isso que eu sou mais feliz (ainda) agora. E é por isso que vou continuar sendo.

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